quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A mais fina Acidez

Vinagre é muito mais que o redentor das folhas saudáveis-mas-neutras. Entra na cozinha - e também em coquetéis, refrescos, sobremesas. Há alguns tão sofisticados que exigem um 'summelier' (com 'u') para avaliar
Já ouviu falar em summelier, assim com "u" mesmo? Trata-se do "cheirador" e degustador de vinagres, profissão que existe no Japão, onde o condimento é coisa séria. Além de ser essencial para temperar e dar liga ao arroz do sushi, o vinagre é usado em refrescos e desempenha também papel semelhante ao do sal: realçar o umami dos alimentos.
Os americanos ainda não adotaram a profissão de summelier, mas os bartenders do país são os mais novos convertidos ao mundo dos vinagres. Estão usando o condimento como substituto do limão. Não na salada, mas sim no preparo de coquetéis.

Felipe Rau/AE
O vinagre de fruta mais popular é o de sidra

Em Nova York, Naren Young, do bar Saxon & Parole, causou frisson ao colocar em sua carta o shrub, uma bebida feita com vinagre de cabernet, Jerez, sementes e melaço de romã para preparar os sentidos do cliente para a refeição, um "limpa-boca".
Bebidas não alcoólicas feitas com vinagre também estão com tudo. Elas são novidade em muitos países, embora nunca tenham saído de moda no Japão. "Vinagres de frutas são tomados com água gasosa no verão. É que consideramos o vinagre um alimento saudável, revigorante", diz a chef Mari Hirata, brasileira radicada em Tóquio.
Por aqui é cedo para falar de drinques e sucos feitos com o vinagre. Ainda nem conhecemos bem o condimento e estamos só começando a testar diferentes variedades. Apesar de a oferta ter aumentado nos últimos anos, especialmente de vinagres importados, padecemos com os "vinagres" feitos com álcool de cana de açúcar, que não deveriam ser chamados de vinagre nem têm as qualidades daqueles produzidos a partir da fermentação de vinho, de frutas e de cereais.
Mas vinagre pode, sim, ter grandes qualidades - que os brasileiros geralmente não conhecem - especialmente porque desde que os vinagres balsâmicos começaram a ser importados da Itália, muita gente simplesmente eliminou o vinagre de fruta ou de vinho da lista de compras. Mas vinagre de vinho e aceto balsâmico são completamente diferentes em sabor, textura e aplicação. O balsâmico é feito do vinho, ou seja, da uva já fermentada; e o balsâmico é feito com o mosto da uva, a primeira maceração antes da fermentação.

De Porto, de Jerez


O vinagre mais popular em todo mundo é o de vinho. E não por acaso, já que o próprio nome do condimento indica sua relação com a bebida. Em francês, vin aigre quer dizer vinho azedo - e não há dúvidas de que o tal vinho que virou o vinagre ancestral tenha azedado naturalmente. Mas a qualidade do condimento só melhorou quando o processo passou a ser controlado.
Os melhores vinagres são obtidos por meio de um antigo método chamado Orléans, pelo qual a fermentação natural ocorre em barril de carvalho, a 21°C. Leva meses e a lentidão é essencial para equilibrar o vinagre.

No Brasil, separamos o vinagre de vinho em apenas duas categorias, branco e tinto. Mas países produtores de vinho fazem vinagres varietais que retratam o terroir, com características particulares de aroma e sabor. 
Vinagre de vinho tinto é mais rico em aroma; e o de vinho branco, sutil e refrescante. A não ser que haja algum descuido durante o processo de fermentação, o vinagre terá características similares à do vinho a partir do qual foi obtido.

De framboesa, arroz...


Bons vinagres de fruta e de cereais são feitos de forma semelhante ao de vinho: com açúcar em abundância, qualquer fruta pode se transformar em vinagre. Os babilônios descobriram, há 4 mil anos, que os vinhos de tâmara e de uva viravam líquidos de sabor agridoce e testaram a fermentação de outros vegetais.
No Reino Unido, a tradição manda temperar o fish and chips com vinagre de malte, obtido da cerveja sem lúpulo, conhecido por alegar. Os ingleses sempre foram fãs de vinagre de framboesa, servido com pratos clássicos, como o yorkshire pudding, até o início do século 20. Os filipinos são exímios produtores de vinagre de frutas tropicais, fazem vinagre de quase tudo, de palma à manga.


Vinagres de champanhe são extremamente delicados. Os de Porto têm notas adocicadas. Os de Jerez são bastante perfumados.
"Há vinagres mais leves e encorpados e outros que envelhecem melhor", diz o sommelier Manoel Beato, que se entusiasmou com um de Jerez por sua complexidade de aromas.
O vinagre de fruta mais popular é o de sidra, feito a partir de maçãs maceradas. Grandes produtores de maçã na Normandia, na França, e em Vermont, nos EUA, “avinagram” parte da safra. Na fermentação, a quebra de açúcares da maçã dá origem a aromas semelhantes aos dos vinhos de uva. Além disso, o vinagre de sidra é menos ácido e mais perfumado.
"No Japão, há vários tipos de vinagre natural de frutas. E tem gente que mistura o vinagre no leite. Parece iogurte", diz Mari Hirata. Mas, no mundo inteiro, é mais comum encontrar vinagres aromatizados com as frutas - usa-se como base o vinagre branco (o de álcool de cana), o de arroz branco ou o de vinho tinto.
Os asiáticos são mestres no preparo de vinagres de cereais. Há milênios os chineses e japoneses transformam grãos fermentados de arroz, sorgo e cevada em vinagre. Há quem diga que os sabores complexos dos vinagres chineses envelhecidos de sorgo, com notas tostadas e aromáticas, superam o aceto balsâmico.

Portal Paladar - Estadão

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Moda Verão 2013 – Tendências para o Verão 2013


Adiantamos para você o que vem por aí na moda verão 2013, aproveite as dicas e não erre na escolha. Já se foi o tempo que o Brasil simplesmente olhava para a Europa e seguia a risca todas as ordens ditadas pela gringa. Acompanhar as tendências do verão 2013 desfiladas com exímia qualidade, profissionalismo e bom gosto na semana de moda do Rio de janeiro e de São Paulo deu orgulho.  Essa segurança transparecida pelos estilistas em suas coleções de moda para o verão causa euforia e vontade de se jogar mais nesse incrível mundo fashion.

Inspirações do Verão 2013

A tendência da moda verão 2013 está recheada de inspirações em nosso povo heroico de brado retumbante, com destaque para as regiões Norte e Nordeste, passeando pelas nossas origens africanas e desaguando na sustentabilidade necessária a sobrevivência dos povos. Asroupas para o verão 2013 refletem essa diversidade tal como Gilberto Freire em “Casa Grande e Senzala” que narra essa instigante miscigenação entre brancos, negros e índios.

Os tecidos no verão 2013

O couro, a seda, texturas, os tecidos tecnológicos com a pegada ecológica, somados aos tecidos com fluidez, fizeram a composição exata para criar um verão 2013 com a leveza na medida certa para um país tão tropical como o nosso. As cores foram um verdadeiro passeio pela aquarela brasileira. Vale a evidência aos tons off-white, tonalidades claras iluminam, fazendo um casamento felizes para sempre com o verão. Com as peças apresentadas ficará prazeroso deixar as pernas de fora nos modelos mullets, que foram a sensação em vários desfiles.

Saias e vestidos longos continuam a todo vapor nas tendências para a moda verão 2013!

Uma das novidades mais femininas do nosso inverno continuará no verão 2013! Confortáveis e versáteis, o maxi comprimento está muito em alta. E o que é o mais legal de tudo isso? Você pode escolher se quer usá-lo para criar um look mais despojado usando uma botinha de cano curto, uma jaquetinha e acessórios mais rocker ou então um look mais elegante com cores mais clássicas, para noite fica muito legal uma saia longa com fenda, sem falar nas transparências, puro estilo. Vale investir pesado em uma boa saiona ou em um vestidão.

Por Blog Marketing e moda

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Por que bordeaux perdeu o charme para os jovens?


Alex Silva/AE
B de barato. O ‘Bordeaux’ estampado na cápsula não precisa significar muito dinheiro




Não muito tempo atrás, jovens americanos amantes de vinho costumavam caminhar para o bordeaux do mesmo modo que gerações de pretendentes a conhecedores já haviam feito. Era a porta de entrada para o mundo maravilhoso do vinho. Mas hoje esse entusiasmo se volta para as regiões de Borgonha e do Loire, a Itália, a Espanha.
O bordeaux, para muitos jovens entusiastas, é algo careta e pouco atraente, um vinho para colecionadores e investidores que buscam mais status que o prazer da taça. "Não conheço muita gente que goste ou beba bordeaux", diz Cory Cartwright, 30 anos, da Seletion Massale, importadora de San José, na Califórnia, que trabalha com pequenos produtores. Paul Grieco, um dos donos do restaurante Hearth e de dois inovadores bares de vinho, Terroir e Terroir Tribeca, todos em Manhattan, afirma: "Nos últimos 15 anos, não vi nenhum jovem sommelier ‘caçador’ de bordeaux".
Muitos jovens estão preferindo os borgonhas. Uma das explicações para a mudança de gosto é que, diferentemente dos bordeaux, muitos deles produzidos por grandes corporações e proprietários ausentes, os borgonhas são basicamente pequenos produtores, com os quais é mais fácil conversar e negociar.
Outra barreira entre osbordeaux e os jovens é a ausência de um advogado carismático desses vinhos. O público do crítico Robert Parker e outros defensores dos bordeaux tende a ser mais velho e estável. "Minha geração, entre 30 e 50 anos, não parece ter tido com os bordeaux o mesmo momento mágico que teve com os borgonhas ou mesmo com os vinhos do Rhône", diz Laura Maniec, responsável pelos vinhos de mais de 15 restaurantes do grupo B. R. Guest. / Tradução de Roberto Muniz

Eric Asimov é crítico de vinhos do 'New York Times'

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O Sangue de Touro de Liszt



Não é de hoje que se atribuem aos vinhos poderes sobre o gênio dos artistas. Sobre o compositor e pianista húngaro Ferenc (Franz) Liszt (1811-1886), conta a lenda que compôs as melodias da Rapsódia Húngara nº 8 sob inspiração movida pelo vinho Bikáver (Sangue de Touro), feito em Szekszárd. Era 1846 e o músico que tinha endereços tão diversos entre Viena, Paris, Roma e Weimar, estava então hospedado na propriedade do barão Antal Augusz, em Szekszárd, província de Tona, ao longo do Danúbio. O barão tinha vinhedos nos arredores da cidade e serviu a Liszt o tinto que lhe valeu a dedicatória da Rapsódia. O próprio compositor, numa das viagens à Roma levou umas garrafas do "néctar sexardique" de presente para o papa Pio IX, que elogiava o vinho bom para seu "ânimo e saúde".
A história é contada por József Kosárka, embaixador da Hungria no México, no site Vinesfera.com. Kosárka lembra ainda um episódio histórico ligado ao Sangue de Touro.
Durante o cerco dos turcos à fortaleza de Eger, em 1552 (veja reprodução abaixo), o capitão húngaro decidiu alimentar seus soldados com o vinho tinto das bodegas subterrâneas. E este teria garantido ímpeto descomunal ao batalhão. Os próprios vencidos teriam degustado posteriormente a bebida, para eles religiosamente proibida, alegando que o vinho tão grosso e vermelho era realmente sangue do animal. Atualmente, o Bikáver só pode ser produzido nas regiões de Eger e Szekszárd. Nesta última, leva 40% de uvas Kékfrankos e Kadarka. Já os Bikáver de Eger têm regras ainda mais definidas, divididos estão por lei em três qualidades distintas (Clássico, Superior e Grão-superior). 
O Bikáver Clássico de Eger tem a Kékfrankos como estrela. Em 2011, o vinho oficial do bicentenário de Liszt foi um Kadarka 2008 de Szekszárd, da vinícola Heimann, que trouxe a imagem do compositor no seu rótulo. A uva Kadarka, essencial no blend do Sangue de Touro, chegou às terras húngaras no século XVI pelas mãos de povos balcânicos que fugiam dos otomanos, explica Kosárka.
Os Sangue de Touro sempre foram ideais para acompanhar os guisados de cordeiro, temperados e coloridos com muita páprica. O poeta Pablo Neruda, que no início dos anos 70 visitou a Hungria na companhia do escritor guatelmateco Miguel Angel Asturias, chegou a escrever uma verdadeira ode aos pratos do país, ao doce Tokay e ao tinto Bikáver, o "touro com coração de veludo".
José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome) 


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Gelar é preciso. Sem pressa



Google Imagens

Qual é o melhor método para gelar, ou melhor, resfriar vinhos? Gianni Tartari, sommelier há mais de 20 anos, os últimos 3 na Enoteca Fasano, lembra que, apesar de existirem diferentes métodos e técnicas para guardar e servir vinhos, o mais importante é não expor o produto a mudanças bruscas de temperatura. Na adega, o vinho geralmente fica em um ambiente com temperatura por volta dos 16º C, variando 1º C acima ou abaixo, e necessitará de uma breve refrigeração antes de chegar à mesa - brancos, rosés, espumantes e tintos têm temperaturas ideais diferentes. O velho e bom balde com gelo e água - encha até a metade com gelo e complete com água, é ela que ajuda a transmitir o frio - é o método preferido pelos profissionais. Menos de 20 minutos bastam para resfriar vinhos a partir da temperatura ambiente. Métodos mais rápidos, como o Cooper Cooler, são indicados para casos de emergência. Funcionam, mas fazem o vinho sofrer um pouco. É o preço da pressa. Já a cinta de gel é indicada apenas para ajudar a manter o vinho resfriado.
E guardar vinho em geladeira? ''Até pode, o que não se deve fazer é tirar e voltar. Uma vez na geladeira, ele deve ficar lá. O problema da geladeira é a umidade - com o tempo ela faz deteriorar a rolha e o rótulo'', diz Gianni.
E o congelador, vale numa emergência? ''Tenho o maior trauma de congelador. Uma vez fiz picolé com meia dúzia de Dom Pérignons... É um método muito agressivo. Funciona, mas só deve ser usado como último recurso e sob vigilância constante, não pode sair do lado da geladeira'', alerta o sommelier.
 Por Estado de S. Paulo